Mulheres no Itamaraty
- nefricomunicacao
- 6 de out. de 2020
- 5 min de leitura
Atualizado: 10 de mar. de 2021
por Mahryan Sampaio Rodrigues
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil - ou Itamaraty - é um órgão do Poder
Executivo responsável pelo assessoramento da política externa do país, auxiliando o Chefe de Estado. O ingresso na carreira diplomática é concursado e acontece hoje através do Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD). Entretanto, mesmo após quase 200 anos de Ministério, as mulheres ainda representam uma minoria dentre os profissionais do Palácio. A existência de evoluções no que tange às questões de gênero é uma característica inquestionável: houve um tempo em que mulheres não podiam nem mesmo se inscrever no
concurso. Contudo, tais avanços não são o bastante para a equidade. A representação de
mulheres no campo diplomático ainda é pouca, e a mudança da cultura organizacional do
Ministério para a inserção e visibilização caminha a passos lentos. A primeira diplomata Em agosto de 1918, Maria José de Castro Rebello Mendes se torna a primeira mulher
a ingressar no serviço diplomático brasileiro aos 18 anos, vencendo uma jornada com
significativos percalços. A Constituição Federal de 1891 explicitava no Art. 73 da seção II
(Declaração de Direitos), que os cargos públicos civis ou militares eram acessíveis "a todos
os brasileiros”. Contudo, ao inscrever-se Maria teve sua candidatura negada. Após recorrer
com representação de Rui Barbosa, foi autorizada pelo chanceler Nilo Peçanha a prosseguir.
Ao contrário do que se pode inferir à primeira vista, este apresentou-se favorável à sua
candidatura com ressalvas:
"Não sei se as mulheres desempenhariam com proveito a diplomacia, vide tantos atributos de discrição e competência são exigidos, bem que não são privilégio do homem – e si a requerente está aparelhada para disputar um lugar nessa Secretaria de Estado (...), o que não posso é restringir ou negar o seu direito... Melhor seria, certamente, para o seu prestígio que continuassem a direcção do lar, taes são os desenganos da vida pública, mas não há como recusar sua aspiração, desde que fiquem provadas suas aptidões.” Ao realizar o Concurso de Admissão à Carreira Diplomática, conquista o primeiro lugar, desafiando os paradigmas de uma época. Assim, Maria José de Castro Rebello mostra
que além de legítima, a inserção de mulheres na diplomacia é exequível. Além de diplomata, torna-se a primeira funcionária pública concursada do Brasil, iniciando carreira no Ministério das Relações Exteriores. Ao longo do tempo Em 1932, a Reforma Mello Franco restringe a atuação das mulheres ao corpo consular. Em 1938, a Reforma Oswaldo Aranha unifica ambas as carreiras e proíbe o ingresso de mulheres por 16 anos. A proibição só é revogada em 1954. Em 1969, o Instituto da Agregação proíbe casais de diplomatas de trabalharem juntos no exterior, baseando-se na justificativa de que ambos receberiam uma remuneração maior do
que o embaixador. As mulheres são as mais prejudicadas, pois em sua maioria deixam de
servir. Somente em 1985 a atuação internacional de casais passa a ser permitida, mas com
condições: era preciso ter tempo de serviço exterior prestado. No ano de 1986 a Agregação
termina, mas pela nova regra um dos dois teria um salário 40% menor, cabendo novamente à mulher ceder em sua maioria, mesmo que a lei não determinasse gênero. A determinação
perdura por 10 anos, até que se encerra em 1996. Em novembro de 2013, surge o Grupo de Mulheres Diplomatas Brasileiras como um importante foro de discussões das questões de gênero dentro do Itamaraty, suprindo uma
demanda reprimida. Em 2014, é criado - através das sugestões do grupo - um Comitê de
Gênero e Raça e uma sala de amamentação no Palácio, que representam avanços nas pautas discutidas para reformas na estrutura do local, adaptação e atendimento de necessidades. Vale lembrar que o primeiro banheiro feminino no Itamaraty foi construído às pressas condicionado à aprovação de Maria José Mendes. O Ministério foi construído de forma estruturalmente masculina, de maneira que até mesmo ao pensar no léxico do português, as flexões de gênero para os cargos demoram a serem pensadas para o feminino. Por muitos anos, uma mulher exercendo cargos mais altos era chamada de “senhora Ministro”. Desafios de carreira Como costume, os diplomatas que conquistam o primeiro lugar no concurso escolhem
seu local de atuação, optando a maioria pela Divisão das Nações Unidas. Todavia, quando as diplomatas Vitória Cleaver e Eugenia Barthelmess escolheram a repartição, tiveram suas capacitações para o cargo postas a prova, mesmo tendo conquistado as colocações mais altas no concurso. Ambas afirmam veementemente que se ao contrário de uma mulher estivesse um homem ao lado de seu superior, a receptividade e o discurso teriam sido bem diferentes. Sobreposta à questão de gênero, é também necessário discutir representação étnica: a
inserção de mulheres negras no Itamaraty ainda é pouca, de visibilidade proporcionalmente
inferior à de mulheres brancas. Hoje, há Programas de Ação Afirmativa para o Ministério das
Relações Exteriores que buscam reparar esta desigualdade. Contudo, parafraseando Marise
Nogueira, a inserção de mulheres negras no Itamaraty provém de significativos esforços e
luta por medidas de reparação históricas, não devendo ser confundidas com o mito da
democracia racial brasileira. Os diplomatas negros na carreira correspondem a um percentual que destoa significativamente da composição étnica do país, sendo mais escassa ainda a representação de mulheres negras na diplomacia. Mônica Menezes de Campos foi a primeira diplomata negra brasileira, ingressando no início dos anos 1980. Mãe solteira, teve uma carreira diplomática breve, sendo discriminada constantemente por sua cor de pele, lidando com a interseccionalidade entre gênero, raça e classe social, além da desumanização da mulher negra. Para elas, chegar à alta burocracia de Estado é uma caminhada árdua e extremamente mais difícil. Nos dias atuais A imagem do Brasil no exterior, tido como um país que incentiva a diversidade e pluralidade, não condiz com o cotidiano. Historicamente, mulheres sempre lidaram com a
dificuldade de inserção em importantes cargos, em razão da dificuldade de acesso e/ou
discriminação. Para a Embaixadora Irene Vida Gala, as mulheres na diplomacia passam por
um problema de falta de visibilidade: “Nós não temos mulheres que o mundo reconheça fora do Itamaraty, que a sociedade brasileira reconheça como diplomata.” Dessa forma, a falta das mulheres no corpo diplomático reflete uma estrutura social
maior, assim como os empecilhos no crescimento de carreira. Nunca nenhuma mulher no
Itamaraty se tornou representante de importantes capitais ao redor do mundo. Os postos de
primeira grandeza nunca foram ocupados por mulheres, sendo restrita sua atuação no Itamaraty. Como sintetizado por Barthelmess, existe uma clara sub-representação feminina na chefia dos cargos. Para elas, é necessário sempre conquistar e lutar por aquilo que é, para os homens, um direito. Mulheres como Thereza Quintella, Irene Gala, Viviane Balbino, Sônia Gomes, Maria
Nazareth Azevêdo, Marise Nogueira, Amena Yassine, Vera Pedrosa, entre outras, nos
ensinam sobre a importância da representação e representatividade feminina nas relações
internacionais. Todas elas possuem atuações extremamente bem-sucedidas no Ministério -
com inúmeros percalços - representando nosso país com excelência em qualquer cargo. A
trajetória das diplomatas no Itamaraty certamente deixa um ensinamento: são e sempre serão inspiração de luta para outras que virão para conquistar e revolucionar este espaço,
ressignificando o papel da mulher na sociedade brasileira. Referências
BALBINO, Viviane Rios. Diplomata: substantivo comum de dois gêneros: um estudo
sobre a presença das mulheres na diplomacia brasileira. Fundação Alexandre de Gusmão,
2011.
BRASIL. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil. 24 de fevereiro de
1891.
EXTERIORES: Mulheres Brasileiras na Diplomacia. Direção de Ivana Diniz. Brasília:
Argonautas, 2019. (53 min.).
FRIAÇA, Guilherme José Roeder. Mulheres Diplomatas no Itamaraty (1918-2011): Uma
análise de trajetórias, vitórias e desafios. Fundação Alexandre de Gusmão, 2018.
MENDES, Marina Macêdo. Gênero e Relações Internacionais: a inserção da mulher na
esfera política e na carreira diplomática brasileira. 2011.





luck8.com dạo này mình thấy bạn bè nói qua nên mình cũng bấm vào xem thử cho biết thôi. Mình không đăng ký hay chơi gì, chỉ lướt vài vòng xem giao diện họ làm kiểu gì. Ấn tượng đầu là trang nhìn khá thoáng, chữ với khoảng cách ổn nên đọc không bị mỏi mắt. Mấy phần nội dung được chia theo từng khối riêng, nhìn cái là biết đâu là phần chính, đâu là bảng thông tin, không bị dính vào nhau. Mình cũng để ý cái menu đặt chỗ dễ thấy, chuyển qua lại nhanh, không phải mò lâu. Nói chung lướt tầm vài phút là quen tay, nhất là cách họ gom nhóm mục và trình…
mm88.london mình cũng kiểu nghe nhắc nhiều quá nên bấm vào coi thử cho biết thôi. Vào trang thấy giao diện khá sạch sẽ, tông nhìn hiện đại nên lướt một vòng không bị rối mắt. Mình không đào sâu mấy trò hay gì, chỉ để ý cách họ viết phần giới thiệu: có nhắc tới uy tín với bảo mật nên cảm giác đỡ ngại hơn khi mới ghé. Mấy đoạn nội dung chia khối rõ ràng, kéo xuống là thấy từng phần tách bạch chứ không dồn chữ một cục. Menu để ngay chỗ dễ thấy, chuyển qua lại mượt, không phải đoán bấm đâu. Nhìn chung bố cục ổn, đặc biệt cái cụm tiêu đề “bài viết…
nhận định bóng đá nét dạo này thấy bạn bè nhắc hoài nên mình cũng ghé thử cho biết. Mình chỉ xem kiểu người dùng bình thường thôi, không soi kèo hay phân tích gì. Vừa vào là thấy cái bảng livescore kết quả xếp theo dạng cột nhìn khá dễ chịu, liếc phát biết ngay trận nào đang diễn ra và tỷ số hiện tại. Mình thích kiểu họ để thông tin gọn gàng, không nhồi chữ nên lướt trên điện thoại cũng ổn. Kéo xuống chút là gặp block “nhận định bóng đá hôm nay” tách riêng, nhìn như một cụm bài để ai muốn đọc trước trận thì tiện. Nói chung cảm giác mọi thứ cập nhật…
xosoplus.com dạo này thấy bạn bè nhắc hoài nên mình cũng bấm vào coi thử cho biết. Mình không đọc kỹ nội dung gì đâu, chủ yếu xem giao diện có dễ nhìn không thôi. Cảm giác đầu tiên là trang làm khá gọn, khoảng trắng vừa đủ nên nhìn không bị ngộp. Mấy mục được chia theo nhóm rõ ràng, đang ở phần nào là nhận ra liền chứ không phải kéo qua kéo lại đoán. Mình lướt trên điện thoại thấy menu đặt khá tiện, chuyển trang nhanh, không bị rối. Với lại cách họ trình bày kiểu từng khối thông tin thẳng hàng nhìn ổn, lướt qua là nắm được ý chính. Nói chung mình thích cái…
Link Vào Luck8 hôm trước thấy bạn bè nhắc hoài nên mình bấm vô coi thử cho biết, kiểu tò mò thôi chứ không có ngồi nghiên cứu gì sâu. Vừa vào là thấy giao diện khá dễ chịu, nền thoáng nên nhìn không bị rối mắt. Mình lướt một vòng thì để ý họ chia nội dung thành từng khối riêng, kéo xuống tới đâu hiểu tới đó, không phải căng mắt tìm. Cái mình thích nhất là mấy bảng thông tin trình bày theo cột gọn gàng, nhìn phát nắm ý chính luôn, đỡ phải đọc dài dòng. Menu cũng nằm chỗ dễ thấy nên chuyển qua lại khá nhanh, không bị lạc. Nói chung cảm giác như…