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Diana, a Princesa do Povo, e seu apoio às Causas Humanitárias

Hoje, dia 31 de agosto de 2021, completa 24 anos da morte de Diana Spencer, mais conhecida como Lady Di, princesa do povo e princesa de Gales. Descendente de aristocratas britânicos, a família de Diana tinha uma relação próxima com a família real, o que possibilitou seu envolvimento e casamento, bastante conturbado e tóxico, com o príncipe Charles, primogênito da rainha Elizabeth II. Por conta desse relacionamento, Lady Di foi membro da Família Real Britânica de 1981 a 1996. Contudo, não foi esse motivo que a fez ser tão amada e querida pelo povo. Diana era conhecida por seu estilo, tanto que seu corte de cabelo era bastante copiado, pelo modo como tratava seus filhos, que era bem diferente da maneira real, pelo seu jeito doce de ser e, principalmente, por seus inúmeros trabalhos filantrópicos. Por ser membro da Família real, Diana precisava fazer alguns ofícios reais, contudo, ela sempre fazia mais do que era pedido, e tratava todas as pessoas como iguais, e não como subordinados ou inferiores. É estimado que a princesa de Gales tenha sido embaixadora de mais de 100 instituições de caridade até o seu divórcio. O foco deste trabalho será apresentar os principais trabalhos sociais nas quais Diana se envolveu, porque o envolvimento dela foi tão importante para cada causa e qual o legado que ela deixou para seus filhos e para o mundo.


Diana e a busca pela conscientização mundial sobre a AIDS


Em uma época em que a AIDS, síndrome da imunodeficiência adquirida, era pouco conhecido e alvo de diversos tabus e boatos, como especulações sobre as causas e tratamentos e associação da doença á homossexualidade masculina, o simples ato de apertar a mão de um portador de HIV era algo impensável, pois acreditava-se que a transmissão acontecia pelo simples contato físico. Além disso, os pacientes eram vistos como inferiores e vítimas de preconceitos. Entre as décadas de 80 e 90, a princesa Diana usou a sua voz e influência para mostrar ao mundo que os boatos sobre a doença em si e, principalmente, pelo modo de contágio da doença não eram verdade. A princesa do povo passou anos da sua vida visitando pessoas portadoras da AIDS/HIV.

No dia 09 de abril de 1987, o Hospital Middlesex de Londres convidou a princesa para a inauguração da Ala Broderip, a primeira ala dedicada à AIDS e a doenças relacionadas ao HIV. Por causa da vergonha de ser portador na época e do medo de aparecer em público e em rede mundial, apenas um paciente do hospital, Ivan Cohen, 32 anos, aceitou ser fotografado no dia da visita da princesa, mesmo que de costas. Nesse dia Diana fez algo até então inédito, apertou a mão de uma pessoa que possui AIDS sem a utilização de luvas.

Esse momento foi fotografado e mudou o modo com as pessoas viam a doença e os seus portadores. Uma curiosidade acerca das luvas é que era uma regra que todos da Família Real utilizassem luvas em atividades reais, contudo, Diana quebrou esse protocolo, e outros mais, pois ela gostava de abraçar e apertar a mão das pessoas que conhecia.



Diana e Ivan Cohen em um momento histórico | Fonte: Centro Sarah Isom para Mulheres e Estudos de Gênero- modificado por Camila Benzaquen


Em 1989, dois anos depois desse momento histórico, Lady Di fez uma visita à Unidade de AIDS do Harlem Hospital durante a sua viagem solo de três dias à cidade de Nova Iorque, Estados Unidos. Em 1991, durante um discurso na Conferência sobre Crianças e AIDS, Diana encorajou as pessoas a apertar as mãos e abraçar pessoas que são portadoras do vírus. No mesmo ano, visitou pacientes com HIV em Toronto, no Canadá, e no Rio de Janeiro, no Brasil. Também fez uma visita a um albergue em São Paulo, Brasil, para crianças abandonadas, “incluindo crianças que eram HIV-positivas ou doentes com AIDS, dando amplos abraços aos moradores (tradução nossa)”.

Contudo, apesar dos avanços científicos, a luta contra essa doença ainda persiste. A AVERT, uma instituição de caridade que luta contra a enfermidade, estima que cerca de 37 milhões de pessoas convivem com a Aids e o HIV. Em 2016, Harry, o filho mais novo de Diana com o príncipe Charles, fez o teste de HIV ao vivo em uma live no Facebook com o objetivo de quebrar o tabu em relação ao teste e mostrar às pessoas a importância de realizar o exame com frequência. A ação do príncipe obteve sucesso, fazendo com que o número de pedidos do teste da AIDS aumentasse.


As minas terrestres em Angola

Após a sua separação de Charles, o foco principal de Diana passou a ser conscientizar as pessoas sobre as minas. Em 1997, ano de seu falecimento em um trágico acidente de carro, Lady Di visitou um antigo centro ortopédico da Bomba Alta, em Huambo, Angola. O objetivo deste hospital era cuidar e dar assistência às pessoas que foram feridas por minas e chegaram a perder algum membro do corpo ou ficaram com alguma outra sequela. O Estado africano está entre os países que mais produzem minas terrestres em todo o mundo, “com mais de 100 quilómetros quadrados de áreas com minas terrestres e outros engenhos explosivos”. Isso está ligado à Guerra Civil que ocorreu entre o partido do governo angolano, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que assolou Angola por quase 30 anos. E qual a relação desse conflito com as minas? Este artefato explosivo era utilizado como instrumento para impedir o avanço do inimigo, ou para isolar uma área.

Dessa maneira, diversas minas foram espalhadas pelo país, de modo aleatório e em diversas áreas do país. Infelizmente, as minas não foram desativadas ou retiradas após o fim do conflito, trazendo inúmeras consequências para a população, como mortes, mutilações, contaminação das terras para o plantio, entre outros. De acordo com a instituição Halo, que acompanhou Diana na sua visita às minas, é impossível saber o número exato de minas que existem no país, mas alega que quase 100 mil foram desativadas desde 1994. Apesar da grave situação, Angola não recebeu ajuda internacional. Sendo assim, a visita de Diana e seu apoio ao hospital que cuidava das vítimas das minas foi essencial para que a comunidade internacional passasse a ajudar Angola.

Segundo o médico Fernando Vicente, que trabalha no hospital que foi visitado por Lady Di, “Diana foi determinante ‘num momento particular da História em que todas as portas se fecharam a Angola em termos de ajuda’ “. Valdemar Gonçalves Fernandes, Gerente de Operações da HALO Angola, disse à CNN que os resultados que eles possuem agora se devem à contribuição de Diana. “Ela fez saber aos doadores que a comunidade internacional também faz parte desse problema e que eles poderiam ajudar”. Além de chamar a atenção internacional para a questão das minas durante a sua visita ao país, ela caminhou por um terreno onde, dias antes, havia minas que foram acionadas acidentalmente por alguns adolescentes durante uma partida de futebol, causando a morte de todos no local. De acordo com o site Incrível, Diana disse o seguinte após fazer o trajeto:


“Com um colete protetor, tentei andar por uma faixa de terra supostamente limpa e posso dizer que é muito assustador. E como que é para aqueles que não têm coletes ou água mineral, que têm de arriscar a vida sempre que vão buscar água? Para aqueles cuja única opção é viver entre campos minados?”


Ademais, a princesa de Gales fez uma campanha pela proibição mundial de minas. Três meses depois de sua morte, 122 países ratificaram o Tratado de Ottawa, que torna proibido a produção, o armazenamento, o uso e a transferência de minas antipessoais. A Halo Trust, uma instituição de caridade britânica registrada, apolítica e não religiosa, e sem fins lucrativos, que limpou o campo minado pelo qual Diana passou em sua visita a Angola, “removeu mais de 92.000 minas terrestres, 800 campos minados e 162.000 projéteis, bombas e mísseis em Angola desde a morte da princesa”.

O príncipe Harry segue os passos da mãe, visitando organizações que ajudam vítimas de minas e buscando eliminar e destruir as minas terrestres, que ainda causam mortes de milhares de pessoas em diversos países ao redor do mundo. Em 2017, o Duque de Sussex alertou que muito ainda precisa ser feito para cumprir o Tratado de Ottawa. James Cowan, Diretor Executivo da Halo Trust, disse que 64 estados e territórios ainda são afetados por minas terrestres e outros dispositivos. Dessa maneira, a causa pela qual Diana lutava ainda continua.


Diana caminhando por um campo que estava lotado de minas dias antes | Fonte: The Duke and Duchess of Cambridge via Twitter



A princesa de Gales e uma das inúmeras vítimas que perderam algum membro do corpo por conta das minas terrestres | Fonte: The Duke and Duchess of Cambridge via Twitter

Embaixadora da Leprosy Mission


A Lepra é uma doença bacteriana que atinge principalmente a pele e os nervos, podendo afetar todos os sexos e idades. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa enfermidade tem cura e, apesar da possibilidade de ficar com deformidades, quem possui a doença pode viver uma vida tranquila. Assim como em relação à AIDS, havia muitos boatos sobre o modo de transmissão da Lepra, sendo a doença associada muitas vezes ao pecado. Dessa maneira, os pacientes foram excluídos e segregados da sociedade por muito tempo. Assim como fizera com os portadores de AIDS, Diana não mediu esforços para conscientizar a população sobre a doença e trazer alegria e esperança aos doentes.

A princesa de Gales viajou para diversos países com alta taxa de hanseníase. Dentre os locais visitados pela princesa podemos citar o hospital de hanseníase em Sitanala, Indonésia, onde ela passou seu tempo de visita brincando, conversando e apertando a mão dos pacientes em 1989. O gesto de Diana, assim como para os portadores de HIV, trouxe esperança para os enfermos e abriu os olhos dos que ainda possuíam preconceitos e tabus em relação à Lepra. Em 1990, Lady Di foi convidada pela Leproy Mission, a maior e mais antiga organização voltada para a hanseníase do mundo, a se tornar sua embaixadora.

Além de ter aceitado o convite, Diana continuou visitando outros países que possuíam alta taxa de enfermos com Lepra, até a sua morte em 1997. Passados dois anos de seu falecimento, foi fundado o Centro de Mídia e Educação para a Saúde Diana Princesa de Gales, perto de Nova Deli, Índia. O objetivo deste projeto era “promover os direitos e a inclusão das pessoas afetadas pela hanseníase na sociedade indiana por meio de advocacy (tradução nossa)”.


O Diana Award


O Diana Awards é uma instituição de caridade que tem como base a crença de Diana de que os jovens têm o poder de mudar o mundo. Dentre os programas e iniciativas que a organização possui podemos citar o trabalho anti-bullying que, através do envolvimento de jovens, pais e professores, visa mudar o comportamento e a cultura do bullying por meio da formação de habilidades para lidar com diferentes situações na internet e na vida que existe fora dela. O projeto fornece recursos e assistência àquelas pessoas que estão sofrendo bullying, que desejam apoiar alguém que está sendo vítima e àqueles que visam promover cultura anti-bullying. O programa também fornece em seu website artigos de apoio sobre o tema e oferece treinamento anti-bullying de maneira gratuita para escolas no Reino Unido.

A instituição também possui um programa de mentoria para auxiliar jovens a treinar suas habilidades profissionais, ingressar no mercado de trabalho, e desenvolver suas aspirações. Os mentores do projeto orientam jovens entre 12 e 15 anos em sessões semanais por três meses.

Criado em memória à sua vida de caridade e envolvimento em projetos sociais, o Prêmio Diana “é o prêmio de maior prestígio que um jovem de 9 a 25 anos pode receber por sua ação social ou trabalho humanitário (tradução nossa)”. Qualquer jovem pode ser indicado por um adulto ou mentor por seus trabalhos sociais. Os ganhadores têm acesso a um programa de desenvolvimento exclusivo para que possam aprimorar ainda mais suas habilidades de inovação, liderança e mudança social. Para o prêmio deste ano, cerca de 300 jovens do mundo todo foram nomeados, e no mês passado foram anunciados os ganhadores do prêmio no canal oficial da instituição no Youtube.





A eternização de Diana


Após tudo o que foi exposto neste texto, ficou claro que de fato Diana era uma princesa do povo. Não importa quanto tempo se passe, ela sempre será lembrada como uma mulher bondosa, caridosa, que buscava ajudar a todos. Todos os anos diversas homenagens são feitas em sua homenagem, tanto no seu aniversário, 01 de julho, quanto no dia de sua morte, 31 de agosto.

No ano passado a princesa completaria 60 anos, e como uma forma de homenagear e eternizar o seu legado, foi inaugurada uma estátua nos jardins do Palácio de Kensington, Londres, parte da residência que ela mais gostava de ficar. A imagem mostra a princesa de Gales e três crianças, e reflete a importância que suas ações tiveram em diversas áreas sociais. A estátua foi encomendada por Harry e William, filhos da princesa, e foi elaborada por Ian Rank-Broadley.

Outras esculturas foram projetadas para homenagear Diana, como a Fonte do Memorial da Princesa de Gales, em Hydre Park em Londres, e o Diana Memorial Playground, um parque para crianças localizado em Kensington Gardens, bem próximo de onde foi inaugurado a Fonte. Também há uma estátua sua no Museu de cera Madame Tussauds, em Londres.

Diana é e sempre será lembrada por seu enorme coração e por suas inúmeras ações para com o próximo, e continuará inspirando pessoas ao redor do mundo a se preocupar com o outro e a lutar contra injustiças.


Harry e William, filhos de Lady Diana, inauguraram a estátua da mãe | Fonte: The Duke and Duchess of Cambridge via Twitter


“Onde quer que eu veja sofrimento, é lá que quero estar, fazendo o que eu puder”

(Princesa Diana)




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